“A ESQUINA DAS CRIANÇAS – ÁREA DE RISCO”

 Espetáculo musical exibe peças árabes e judaicas

 Com a proposta de reunir culturas antagônicas por meio da música, o espetáculo musical “A esquina das crianças – Área de risco”  faz uma sessão única, hoje à noite, no Palácio das Artes. O show reúne o pianista Marcelo Bratke e a cantora Fortuna.

A Primeira parte alterna obras para piano solo e peças para voz e piano. É dedicada a temática do universo musical adulto, passando pelo repertório de Bach, Schoenberg e Kurt Weill, além de incluir peças árabes e judaicas. A inocência e a pureza da infância são o enfoque da segunda parte da apresentação, marcada por uma combinação de peças que remontam as mais antigas canções de ninar do Oriente Médio e do Ocidente.

Cantora, compositora e atriz de origem judaica, a paulistana Fortuna já protagonizou parcerias musicais com o poeta curitibano Paulo Leminski. Desde 1991, depois de uma viagem a Israel, que ela se propõe a um intenso trabalho de pesquisa e resgate de canções medievais que permaneciam praticamente esquecidas. Esse repertório histórico ela registrou em sete CDs.

Dividindo seu tempo entre Londres e São Paulo, o pianista Marcelo Bratke possui extensa carreira como intérprete internacional. Ele se apresentou nas mais prestigiadas salas de concerto do mundo, como o Carnegie hall (EUA), o Queen Elizabeth Hall (Londres) e Konzerthaus (Berlim). Também possui uma vertente popular, realizando trabalhos ao lado do pianista britânico de jazz Julian Joseph, o percussionista nana Vasconcelos e a cantora Sandy.

(Jornal HOJE EM DIA, Belo Horizonte, 26/08/2008)


CONCERTO FAZ PASSEIO POR CULTURAS MUSICAIS

O espetáculo “A Esquina das crianças-Área de Risco” reúne no Palácio das Artes o pianista Marcelo Bratke e a cantora, compositora e atriz Fortuna. Em turnê, eles se apresentaram em Campos do Jordão, Rio de Janeiro, Porto Alegre e hoje, às 20h30, é a vez dos mineiros prestigiarem um concerto que, como definem os artistas, possibilita ao público dar a volta ao mundo por meio da música.

Bratke é um pianista erudito e Fortuna uma cantora de world music.Os estilos diferentes não foram empecilho para a união entre os dois. Pelo contrário, foi exatamente dessa diferença que nasceu a idéia de colocar juntos esses dois universos. “É como se um penetrasse no mundo do outro. Sempre gostei de fazer com que a música erudita entrasse em contato com outras áreas”, comenta Bratke.

Segundo Fortuna, as palavras “fronteira” e “paz” expressam o sentimento do espetáculo, que se divide em duas partes. Em um primeiro momento, há a apresentação de temáticas relacionadas ao universo musical “adulto”, em que peças árabes e Judaicas, por exemplo, se contra-põem.

É por meio da música que os artistas colocam lado a lado povos antagônicos e diferentes  culturas, porém mostram que através de canções é possível fazer com que barreiras existentes entre nacionalidades ou religiões, diminuam. “Essa primeira parte é marcada por tensão e densidade, pois aborda as dissonâncias existentes no mundo e mostra esse adulto em conflito devido às fronteiras que ele próprio cria ao seu redor” Comenta a cantora. Na primeira parte do concerto, o público vai apreciar obras de Johann Sebastian Bach, Arnold Schoenberg e Kurt Weill, dentre outros renomados artistas.

 RETORNO. A inocência e a pureza da infância são o enfoque da segunda parte da apresentação. Por meio de canções de ninar do Oriente Médio e do Ocidente, que passam pelo artista iraniano Shaharzad Parsapour até chegarem a cantigas tupi-guarani,”é o momento do adulto resgatar a criança que existe dentro de si.Esse momento mexe com o coração de cada um, pois recupera a beleza e a serenidade Infantil”, afirma Fortuna.

O nome dado ao espetáculo também define bem essa idéia de contraste apresentada.” A esquina é uma metáfora relacionada ao espaço onde as crianças brincam sem preconceitos.A área de risco aparece quando elas crescem e cada uma delas entra em seu próprio universo”, explica Bratke.O público pode esperar por um concerto diferente em que tentamos mostrar o lado doce e otimista do mundo”, completa o pianista.

CURRÍCULOS. Apesar dessa ser a primeira turnê em que os artistas se apresentam juntos. Bratke e Fortuna já possuem anos de estrada na carreira artística. O pianista já se apresentou em vários países, foi o músico convidado para inaugurar a nova sala de concertos de São Paulo: o Auditório do Ibirapuera.

A cantora Fortuna já gravou sete CDs e sua obra teve distribuição na Argentina, Espanha, Israel, e Estados Unidos. Sua discografia soma quase 100 mil cópias vendidas e as gravações receberam elogios da critica e destaque em importantes premiações. Embora a experiência seja marca dos artistas, ambos dizem aprenderem com a realização desse trabalho. “Essa vem sendo uma experiência insólita”, comenta Fortuna.

(Renata Medeiros, Jornal O Tempo, Belo Horizonte, 26/08/2008)


"Há nomes assim, predestinados. É o caso de Fortuna, um tesouro. Em Portugal, cantou pela primeira vez no festival Évora Clássica.
O público aderiu às palmas, entusiasmou-se, e quando ela, ao cabo de uma hora de espectáculo, anunciou a última, já ninguém a deixou ir. Do repertório profano retirou duas,"canções de humor", que foi cantar na platéia, com a sala toda a fazer coro. O publico estava rendido. Obrigou-a a mais dois "encores" e só a contragosto a deixou ir, depois de um comovente "Dame tu fuerza"."
( José Pinto de Sá , Jornal O Público, Lisboa, Portugal,08/07/2004)


"Há peças de origem espanhola, marroquina e turca, em tratamento instrumental mais moderno. Fortuna musicou um poema de Yehuda ha-Levy, uma das maiores personalidades dessa parcela dos judeus."
(João Batista Natali, Jornal Folha de São Paulo)


"Fortuna ainda não é conhecida das multidões, mas a cada concerto realizado com o esmero de uma produção teatral de qualidade ela arrasta um público numeroso e já cativo. Não só da comunidade judaica, mas cada vez mais de credos diversos. A razão está na maneira como dá brilho a um repertório secular, na maioria das vezes perdido até entre os próprios judeus..."
(Apoenan Rodrigues, Revista ISTOÉ, São Paulo,12/04/00)


"Une citoyenne du monde Fortuna est une chanteuse brésilienne qui fait une carrièrre internationale en interprétant des chants traditionnels séfarades en judéo-espagnol et en hébreu. Les mélodies qu'elle entonne viennent d'Espagne, du Maroc, de Turquie, et de tout le bassin méditerranéen. Le spectacle qui sera donné à Bobino présentera des chansons de noces venues du Maroc, des chansons d'amour des Balkans, des chants d'amour lliturgiques ainsi que des romanzas espagnoles. Ses parures sur scène sont trés expressives et la gestuelle accompagnée de lachoréographie du spectacle replace le spectateur à l'Age d'or, une période où
Séfarades, Maures et Chrétiens vivaient en harmonie."
(Actualité Juive, Paris, France, 18/11/99)


Apresentando variações que vão, muito latinamente, da reverência religiosa à sátira marota e à alegria do amor, todas as 17 faixas mostram a eficiência da mescla entre os sóbrios arranjos e a voz límpida de Fortuna. O resultado final é um trabalho impecável, que deve ser conhecido."
(Revista Planeta, São Paulo, setembro/95)


"Vale a pena destacar o vestuário utilizado por Fortuna. Trajes em negro, branco, vermelho e vinho foram parte importante no aspecto visual do show. Sua voz é muito doce e melodiosa. Conseguiu cativar toda a platéia. Sua presença em cena foi muito especial e não se limitou a cantar, incluiu algo de atuação em suas interpretações. Sua movimentação no palco mostrou um cuidadoso estudo do espetáculo."
(El Universal Caracas - 4/7/95)


"A inédita pesquisa do cancioneiro ladino, além de valiosa, revela a beleza dos sons medievais dos judeus originários da Espanha. Fortuna amadureceu como intérprete, canta com afinação e mostra que entrou no espírito da época, sem deixar de ser moderna."
(Jornal O Globo, Rio de Janeiro - 2/8/94)